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Planetas retrógrados: o que esperar desta temporada

Por Virgínia Rodrigues 15/05/2020 ÀS 12H28
O movimento de retrogradação dos planetas podem afetar diferentes partes da vida O movimento de retrogradação dos planetas podem afetar diferentes partes da vida - Crédito: Shutterstock

Há uma passagem bíblica bastante conhecida: a história de Caim e Abel - calma, você não errou o texto, já vamos falar dos planetas retrógrados! Narra a Bíblia que, Adão e Eva, após serem expulsos do jardim do Éden, tiveram dois filhos: Caim e Abel. 

Em determinada ocasião, Caim e o seu irmão mais novo, Abel, apresentaram ofertas a Deus. Caim apresentou frutos do solo e Abel ofereceu seu melhor animal a Deus. 

A oferta de Abel teria agradado a Deus, enquanto que a de Caim não e o peito de Caim encheu-se de inveja. Deus lhe disse algo surpreendentemente profundo: "sobre Ti serás o Teu desejo, mas sobre ele deves dominar". Guardem essa frase e vamos ao que interessa. 

Todos nós sabemos que 2020 não seria um ano fácil, não é? Quem acompanha astrologia, sabe. E sabe há muito tempo. 

Há muito se tem falado sobre a importância da conjunção de planetas geracionais em Capricórnio, que nos levaria a um período de revisão de bases sociais e pessoais. Aquilo que somos – nós e sociedade – passaria por uma revisão: tudo aquilo que não for cerceado na espiritualidade e apenas no poder, dominação e autoritarismo, iria ruir a partir de dezembro de 2019.

Em dezembro de 2019, a conjunção que ocorreu no signo de Capricórnio, especificamente no grau 22 do signo, contou com Júpiter, Plutão e Saturno, alinhados, durante um eclipse. A partir de lá, vimos o mundo passar a mudar. 

Esses exatos mesmos planetas, a partir desta semana, passarão a retrogradar. E a grande surpresa é que eles alcançarão o grau 22 de Capricórnio - o exato grau da conjunção, em dezembro de 2019. Mas, o que isso quer dizer? 

Quer dizer que esses planetas voltarão ao ponto onde tudo que vemos hoje no mundo começou. Que há algo que não vimos e precisa ser visto. Que seremos testados sobre as lições adquiridas neste período. 

A retrogradação – aspecto visual de um planeta em relação à terra, como se ele estivesse andando para trás – sempre guarda um segredo: há algo a ser visto, algo a ser repensado, algo passou despercebido e ainda há um ciclo a ser finalizado. É como se houvesse um tratado final.

Planetas retrógrados

Plutão

Plutão, por estar retrogrado até o dia 4 de outubro de 2020, começará a trabalhar por trás dos bastidores; muitas coisas podem ser reveladas, algumas pessoas podem mostrar um lado mais sombrio por meio de uma aparência de melhora.

O que Plutão faz por debaixo dos bastidores? Ele checa. “Isso não está legal. Não está bom”. Ele pensa. “O que eu vou fazer com relação a isso aqui?”. Ele questiona. “Essa pessoa ainda não compreendeu a dinâmica de poder”. Ele afirma. “Esse aqui continua achando que há poder diante de tudo”. Ele zomba.  

O que Plutão faz, portanto? Ele dá poder. Empodera as pessoas. “Eu venci uma força maior, eu venci a morte, eu venci o medo, venci um poder maior que eu, eu estou mais poderoso como pessoa ou como instituição” - é o que Plutão os fará pensar. 

Em nossa vida pessoal, podemos sentir a necessidade de controle, domínio, manipulação, invasão da intimidade do outro, autoritarismo, deboche, segurança calçada em bases que não são espirituais. 

Saturno

Saturno retrógrado, por outro lado, o grande professor, nos questionará: quais são os compromissos que precisamos assumir perante a mudança? Quais compromissos devemos assumir conosco e manter para nossa evolução? Quais compromissos assumimos em dezembro de 2019, que deixamos para trás? Quais compromissos ficarão claros que devem ser assumidos por nós enquanto humanidade?

Júpiter

Júpiter, nessa conjunção, nos conta que cada um de nós precisará rever os próprios valores e crenças. Com Júpiter, compreendemos que, sozinhos, nos enchemos de ego. Sozinhos, construímos bases alicerçadas em poder e dominação. Sozinhos, tendemos ao fracasso. Então, como passar por este período de retrogradação, sem sermos enganados pelo nosso próprio ego? 

Por meio do reconhecimento da nossa impotência. Por meio da consolidação da nossa humildade. Por meio da renovação das nossas crenças. Por meio da espiritualidade. Por meio da maturidade. Por meio da responsabilidade conosco e com o outro. 

Esta, portanto, é a nossa chance de nos comprometer com tudo aquilo que há muito lutamos, sem sucesso. Reconhecendo a impotência perante um vício, uma compulsão, um amor que não desapegamos ou uma situação que não deixamos, seremos apresentados à mudança, que é o início do caminho ensinado por esses planetas. 

A humanidade precisa do conjunto. Um conjunto ligado ao mundo espiritual. Como você compreende-o. A impotência nos revela que todo controle é imaginário. Toda autoridade é temporária. Somos seres em constante mudança.

Tendemos ao mal e precisamos nos vigiar. Tendemos a romper compromissos, tendemos à mentira, à vaidade, ao orgulho e a soberba. 

Lembram da história de Caim e Abel? Deus diz a Caim “sobre Ti serás o Teu desejo, mas sobre ele deves dominar”. Ali, a passagem bíblica nos revela algo precioso: todos nós tendemos ao mal. Não somos bons por natureza. Evoluímos por meio das nossas escolhas. E é apenas sobre o nosso interior que temos controle. 

Que admitamos nossa impotência, nossas limitações, revisitemos nossos traumas, compromissos, sonhos e desejos. Que nos liguemos à base espiritual – como assim a compreendermos, independente de religião. Que voltemos a nós mesmos e à nossa falta de controle sobre o externo, e nos lembremos que é ao nosso interior que devemos transformar, mudar e dominar. A partir dele, teremos poder para mudarmos coletivamente.

Revisitemo-nos; é o recado do céu com os planetas retrógrados. Admitamos a nossa impotência perante ao externo. Deixemos o controle e o poder de lado. Há muito trabalho interno a fazer!

Texto: Virgínia Rodrigues - Astróloga

Instagram: @rodriguesvirginia

 

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