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Bezerra de Menezes: conheça a história e mensagens do espírita

Por Redação João Bidu 29/08/2021 ÀS 12H00
Bezerra de Menezes foi um grande divulgador e defensor do espiritismo Bezerra de Menezes foi um grande divulgador e defensor do espiritismo - Autor desconhecido. Domínio público via Wikimedia Commons.

Neste 29 de agosto comemora-se o nascimento de Bezerra de Menezes, um dos grandes expoentes da Doutrina Espírita. Ele foi um médico, político e escritor que morreu em 11 de abril de 1900, com 68 anos. Antes de reencarnar, Bezerra de Menezes recebeu a missão do plano espiritual de semear a Doutrina Espírita em terras brasileiras. Como doutor, fez caridade e atendeu a quem precisava de ajuda, sem cobrar nada. Como político, desenvolveu grande trabalho em defesa dos humildes e necessitados. Seu contato com a doutrina ocorreu no ano de 1875, quando ganhou o exemplar de O livro dos Espíritos. Foi convidado para ser presidente da Federação Espírita, organizou estudos, escreveu artigos e fundou a primeira livraria espírita do Brasil. Após sua morte inúmeras obras mediúnicas foram atribuídas a Bezerra de Menezes e vários médiuns disseminaram suas mensagens. Conheça mais sobre a história do homem que é considerado o Kardec brasileiro. 

A missão na Terra

Antes de reencarnar, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti já tinha sido designado pelo plano espiritual para levar a cabo a missão de semear no solo fértil das terras brasileiras, a semente do Evangelho Restaurado, representado pelo Espiritismo, para mais tarde unir, sob a mesma bandeira, todos os seus integrantes.

Foram as seguintes as palavras do nobre espírito Ismael: “Descerás às lutas terrestres, tendo por objetivo concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Agruparás todos os elementos dispersos com a dedicação do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos altos propósitos de reforma e de regeneração. Não precisamos de te explicar quão delicada é a tua missão. Mas, se observares plenamente o Código de Jesus, e contando com a nossa assistência espiritual, pulverizarás, à base de perseverança e de humildade, todos os obstáculos, consolidando o início da nossa obra, que é a de Jesus, no seio da pátria do Seu Evangelho. E se a luta vai ser grande, lembra-te que não será menor a compensação do Senhor, que é o caminho, a verdade e a vida.“ E foi com este fim que Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti regressou à superfície terrestre.

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu no dia 29 de agosto de 1831, na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará. Mais conhecido apenas como Bezerra de Menezes, foi um homem atuante como médico, militar, escritor, jornalista, político, filantropo e expoente da Doutrina Espírita.

Filho de um tenente-coronel da Guarda Nacional, era descendente de antiga família de ciganos fazendeiros de criação, ligada à política. Em 1842, como consequência de perseguições políticas e dificuldades financeiras, a sua família mudou-se para a antiga vila de Maioridade (Serra do Martins), no Rio Grande do Norte.  

No ano de 1846, a família retornou à Província do Ceará, fixando residência na capital, Fortaleza. Alguns anos depois, em 1851, com o falecimento do seu pai, foi para o Rio de Janeiro onde iniciou a faculdade de medicina.

Casou-se duas vezes (a primeira esposa faleceu de maneira súbita) e teve ao todo nove filhos (dois do primeiro casamento e sete do segundo).

A carreira como médico

Bezerra de Menezes ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia e se formou em 1856. Em abril de 1857, solicitou sua admissão no Corpo de Saúde do Exército e um ano depois já era cirurgião-tenente. Também foi redator do Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina.

Já como médico, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos de fortuna, carinho e dedicação, por isso, ficou conhecido como o médico dos pobres. Além de sua dedicação à profissão, há relato de que Bezerra de Menezes doou o seu anel de grau de medicina a uma mãe para que comprasse os remédios de que seu filho precisava.

A vida na política

Respeitado e reconhecido por seus numerosos amigos, foi convidado para entrar na política e elegeu-se vereador pelo Partido Liberal, mas tentaram impugnar sua candidatura por ser médico militar. Ele, então, demitiu-se do Exército.

Já como político desenvolveu grande trabalho em defesa dos humildes e necessitados. Foi reeleito com simpatia geral para o período de 1864-1868. Não se candidatou ao exercício de 1869 a 1872. Em 1867, foi eleito deputado-geral (correspondente hoje a deputado federal) pelo Rio de Janeiro. 

Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, com a subida dos  conservadores ao poder, Bezerra dirigiu suas atividades para outras realizações que beneficiassem a cidade. Em 1873, após quatro anos afastado da política, retomou suas atividades, novamente como vereador. Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, foi novamente eleito à Câmara dos Deputados, representando o Rio de Janeiro, cargo que exerceu até 1885.

Neste período, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, que veio proporcionar-lhe pequena fortuna, mas que, por sua vez, foi também responsável por deixá-lo completamente arruinado. Finalizou sua carreira de política em 1885, depois de 30 anos na vida parlamentar. Mas outra missão mais nobre ainda estaria por vir.

O contato com o Espiritismo

Em 1875, o Espiritismo já atraía multidões de crentes e foi nesse ano que Bezerra de Menezes ganhou um exemplar de O Livro dos Espíritos. Foram palavras do próprio Bezerra, ao proceder a leitura da obra: “lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim [...]. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos [...]. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença”. Contribuíram também, para torná-lo um adepto consciente, as extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

Adepto e defensor da Doutrina Espírita, Bezerra de Menezes era consultado por Augusto Elias da Silva que lançou o Reformador, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira e o periódico mais antigo do Brasil, sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas, já que surgia um movimento inesperado contrário ao Espiritismo. O médico aconselhava-o a contrapor-se ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia. Bezerra não ficou, porém, no conselho teórico. Com as iniciais A. M., começou a colaborar com o “Reformador”, com a redação de artigos doutrinários.

A Federação Espírita Brasileira

No ano de 1884, foi fundada da Federação Espírita Brasileira, mas o médico não quis inscrever-se entre os fundadores. Com participação marcante, somente em 1886 que Bezerra de Menezes, com 55 anos, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da doutrina. Iniciou então a publicação de uma série de artigos sobre a Doutrina em O Paiz, periódico de maior circulação da época.

A dispersão e a união

Na década de 1880, o movimento espírita sentia um esvaziamento de seus adeptos e das entidades em que se reuniam. Já havia também uma clara divisão entre dois “grupos” de espíritas: os que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso (maior grupo, o qual se incluía Bezerra) e os que não aceitavam o Espiritismo nesse aspecto. Perceberam então, que a pessoa capaz de superar as divisões era Bezerra de Menezes, então, foi eleito presidente da Federação Espírita Brasileira, função que exerceu até a sua morte, em 1900.

O “Kardec brasileiro”

Pela atuação destacada no movimento espírita da capital brasileira no século XIX, Bezerra de Menezes foi considerado um modelo para muitos adeptos da Doutrina. Destacam-lhe a índole caridosa, a perseverança, e a disposição amorosa para superar os desafios. Essas características, somadas à sua militância na divulgação e na reestruturação do movimento espírita no país, fizeram com que fosse considerado o “Kardec Brasileiro”, numa homenagem devida ao papel de relevância que desempenhou. Muitos seguidores acreditam, ainda, que Bezerra de Menezes continua, em espírito, a orientar e influenciar o movimento espírita. É considerado patrono de centenas de instituições espíritas em todo o mundo.

Preces psicografadas de Bezerra de Menezes

Prece por trabalho

“Senhor! Auxilia-nos a ser vir para que aprendamos a amar, segundo nos ensinaste. Nas horas tranquilas, induze-nos a trabalhar, aproveitando os tesouros do tempo e nas horas de crise, conserva-nos em mais trabalho a fim de não perdê-los. Se errarmos, faze-nos trabalhar na própria corrigenda e sempre que acertarmos no dever a cumprir, acrescenta-nos o trabalho para sermos mais úteis. Senhor, ajuda-nos a compreender que o trabalho afasta a necessidade, imunizando-nos contra o mal e auxilia-nos a lembrar que unicamente aqueles que aprendem a servir é que conseguem vencer.”

Pelo espírito Bezerra de Menezes, psicografia de Francisco Cândido Xavier, trecho da obra Sinais de Rumo.

Oração da esperança

“Senhor! Os homens reúnem-se no mundo para pedir, reclamar, maldizer; legiões humanas devotadas à fé entregam-se para que as comandes; multidões sintonizam contigo buscando servir-Te. Permite-nos agora um espaço para a gratidão por estes dias de entendimento fraternal que vivemos na casa que nos emprestastes para o planejamento das atividades evangélicas do futuro. Como não estamos habituados a agradecer e louvar sem apresentar o rol das nossas súplicas, permite-nos fazê-lo de forma diferente. Quando quase todos pedem pelos infelizes, nós nos atreveremos a suplicar pelos infelicitadores; quando os corações suplicam em favor dos caídos, dos delinquentes, dos que se agridem, nós nos propomos a interferir em benefício dos que fomentam as quedas, os delitos e a violência; quando os pensamentos se voltam para interceder pelos esfaimados, os carentes, os desiludidos, nós nos encorajamos a formular nossas rogativas por aqueles que respondem por todos os erros que assolam a Terra, estabelecendo a miséria social, a falência moral e a derrocada nas rampas éticas do comportamento. Não Te queremos pedir pelas vítimas de todos os matizes, senão, pelos seus algozes, os que entenebreceram os sentimentos, a consciência e a conduta, comprazendo-se, quais chacais sobre os cadáveres dos vencidos. Tu que és o nosso pastor e prometeste apoio a todas as ovelhas, tem misericórdia deles, os irmãos que se cegaram a si mesmos e, ensandecidos, ateiam as labaredas do ódio na Terra e fomentam as desgraças que dominam no mundo. Tu podes fazê-lo, Senhor, e é por isto que, em te agradecendo todas as dádivas da paz que fruímos, não nos podemos esquecer desses que ardem nas labaredas cruéis da ignorância, alucinados pelos desequilíbrios que os tornam profundamente desditosos. Retira dos nossos sentimentos de amor a cota melhor e canaliza-a para os irmãos enlouquecidos na volúpia do prazer, que enregelaram o coração longe dos sentimentos de humanidade e que terão que despertar, um dia, sob o látego da consciência que a ninguém poupa. Porque já passamos, em épocas remotas, por estes caminhos, é que te suplicamos por eles, os irmãos mais infelizes que desconhecem a própria desdita. Quanto a nós, ensina-nos a não fruir de felicidade enquanto haja na Terra e na Pátria do Cruzeiro os que choram, os que se debatem nos desvãos da perturbação, e, consciente ou inconscientemente, te negam a sabedoria, o amor e a condução de ternura como pastor de nossas vidas. Quando os teus discípulos, aqui reunidos, encerramos esta etapa, damo-nos as mãos, e, emocionados, repetimos como os mártires do passado: - Ave Cristo! Em tuas mãos depositamos nossas vidas, para que delas faças o que te aprouver, sem nos consultar o que queremos, porque só tu sabes o que é de melhor para nós. Filhos da alma: que vos abençoe o Pai de Misericórdia e que Jesus permaneça conosco são os votos do servidor humílimo e paternal de sempre.”

Pelo espírito Bezerra de Menezes, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

Oração para cura

“Nós te rogamos, Pai de infinita bondade e justiça, o auxílio de Jesus, através de Bezerra de Menezes e suas legiões de companheiros; que eles nos assistam, Senhor, consolando os aflitos, curando aqueles que se tornam merecedores, confortando aqueles que tiverem suas provas e expiações a passar, esclarecendo aos que desejam conhecer e assistindo a todos quanto apelam ao Teu infinito amor.  Jesus, estende tuas mãos dadivosas em socorro daqueles que te reconhecem o despenseiro fiel e prudente. Faze-lo, divino modelo através de tuas legiões consoladoras, de teus bons espíritos, a fim de que a fé se eleve, a esperança aumente, a bondade se expanda e o amor triunfe sobre todas as coisas. Bezerra de Menezes, apóstolo do bem e da paz, amigo dos humildes e dos enfermos, movimenta as tuas falanges amigas em benefício daqueles que sofrem, sejam males físicos ou espirituais. Bons espíritos, dignos obreiros do Senhor, derramai as curas sobre a humanidade sofredora, a fim de que as criaturas se tornem amigas da paz, do conhecimento, da harmonia e do perdão, semeando pelo mundo os divinos exemplos de Jesus Cristo. Assim seja.”

Fonte: www.oracaoja.com.br

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