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Dia Internacional da Luta contra a Discriminação Racial

Por Gledson Lima 21/03/2020 ÀS 06H47
Religiões de matriz africana também lutam contra preconceito Religiões de matriz africana também lutam contra preconceito - Shutterstock

A data de 21 de Março é marcada pelo Dia Internacional contra a Discriminação Racial, criado pela ONU em 1960, em memória ao Massacre de Shaperville, na África do Sul. No Brasil, a luta contra a discriminação racial só começou a se intensificar após a Constituição Federal de 1988, que incluía o crime de racismo como inafiançável e imprescritível. 

Lado a lado com o racismo, o preconceito com as religiões de matriz africana é um mal que assola nosso país, mesmo vivendo em um Estado laico - no qual, teoricamente, o Estado não apoia nem se opõe a nenhuma religião. Felizmente, mesmo com todo preconceito, temos as religiões de matriz africana muito presentes e em crescimento constante; o número de umbandistas cresceu consideravelmente nas últimas décadas, trazendo mais adeptos e estudiosos para essa prática 100% brasileira. 

Portanto, para reforçar a luta contra a discriminação racial neste dia tão pertinente e importante, vale também conhecer um pouco da história dessa religião que tem raízes na nossa história, no nosso país.

Como nasceu a Umbanda

A Umbanda nasceu no dia 15 de Novembro de 1908 (oficializado no Brasil no dia 18 de Maio de 2012 pela lei federal 12.644) na Federação Espírita de Niterói, através do medium Zelio Ferdinando de Moraes. Antes do surgimento da Umbanda, já existiam os Cultos aos Orixás no Candomblé, e também falanges de pretos-velhos, caboclos, exus, pombagiras e crianças trabalhando em alguns terreiros de Candomblé, das macumbas carioca e paulista e em alguns centros espíritas kardecistas.

A história da Umbanda

Zélio sofria de uma paralisia e os exames médicos não indicavam nada de anormal, mas mesmo assim ele não conseguia se movimentar da cintura para baixo. Um dia, ao acordar, anunciou à sua família: “amanhã estarei curado”. No dia seguinte, se levantou da cama e andou como se nada tivesse acontecido. O fato espantou seus médicos, que também eram tios de Zélio e padres católicos, que não conseguiram explicar o que havia ocorrido. Zélio, então, foi levado à Federação Espírita de Niterói e, chegando lá, o médium dirigente iniciou os trabalhos. 

Em determinado momento, Zélio se afastou e buscou uma rosa, que colocou no centro da mesa. Os presentes estranharam aquilo, estranharam ainda mais quando vários espíritos começaram a se manifestar e se identificaram como caboclos indígenas ou escravos africanos.

O médium dirigente do centro pediu que esses espíritos se retirassem, tentando doutriná-los por serem "atrasados espiritualmente". O espírito que havia levado Zélio a buscar a flor voltou e questionou o médium dirigente, perguntando o motivo dele considerar que aqueles espíritos não eram evoluídos, apenas por terem sido de cor e classe social diferentes da dele na última reencarnação. Apesar da pertinente argumentação, os membros daquele centro kardecista continuaram a tentar doutrinar os espíritos.

O espírito então respondeu: “Se julgam atrasados estes espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho (referindo-se a Zélio, que abriu espaço para esses espíritos e aceitou ser um canal para eles) para dar início a um culto em que esses pretos e índios poderão passar suas mensagens e, assim, cumprir a missão espiritual que a eles foi confiada. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E, se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim”

No dia seguinte foi comprovada a veracidade dos fatos e os doentes que aguardavam fora da Federação foram convidados a entrar para iniciar os trabalhos de cura, dando início ao que hoje conhecemos como Umbanda. Antes do final da sessão manifestou-se um preto velho, Pai Antonio, que ensinou o ponto cantado: “Chegou, chegou, chegou com Deus. Chegou, chegou, o Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

 

Texto: Gledson Lima - Tarólogo, numerólogo e umbandista

Instagram: @numerologleds

 

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